Elon Musk revela plano para Starlink levar internet de alta velocidade direto aos celulares

Elon Musk revelou novos detalhes de um dos projetos mais ambiciosos da Starlink: oferecer conexão de internet de alta velocidade diretamente entre satélites e smartphones, reduzindo a dependência de antenas terrestres e ampliando a cobertura para locais onde as redes convencionais não chegam.
Durante participação no All-In Summit, Musk explicou que a SpaceX trabalha simultaneamente no desenvolvimento de novos satélites e com fabricantes de celulares para que futuros aparelhos sejam compatíveis com frequências adquiridas pela companhia.
A expectativa apresentada pelo empresário é que os primeiros smartphones capazes de aproveitar plenamente esse novo espectro possam começar a chegar ao mercado em aproximadamente dois anos.
Celulares atuais precisam de mudanças
Segundo Musk, existe uma limitação importante: os smartphones disponíveis atualmente não oferecem suporte nativo às frequências que a SpaceX pretende utilizar.
Por isso, será necessário modificar os chipsets dos aparelhos.
“Como essas frequências não são suportadas nos telefones atuais, o chipset precisa ser modificado.”
Musk estimou que esse processo deve levar cerca de dois anos. Paralelamente, a SpaceX pretende construir satélites preparados para transmitir nessas mesmas frequências.
A estratégia envolve fazer com que telefone e satélite se comuniquem diretamente com largura de banda significativamente maior.
“Você poderá assistir a vídeos em qualquer lugar”
Musk resumiu o objetivo da tecnologia com uma declaração que chama atenção: a expectativa é permitir que usuários consigam assistir a vídeos diretamente pelo celular mesmo em áreas atendidas pela conexão via satélite.
A proposta vai além dos serviços atuais de comunicação direta entre satélites e celulares. O objetivo descrito pelo empresário é alcançar uma conexão com capacidade suficiente para aplicações que exigem maior volume de dados.
Isso poderia ampliar a conectividade em áreas rurais, estradas, regiões remotas e outros locais com cobertura móvel limitada.
SpaceX comprou frequências para ampliar o Starlink
O projeto ganhou força depois que a SpaceX fechou um acordo com a EchoStar para adquirir licenças de espectro AWS-4 e H-Block.
O negócio foi inicialmente anunciado em setembro de 2025 por aproximadamente US$ 17 bilhões. Posteriormente, o acordo foi ampliado e passou a envolver cerca de US$ 20 bilhões, com a inclusão de espectro adicional. Documentos da EchoStar mostram que a operação recebeu aprovação regulatória da FCC em maio de 2026.
A própria EchoStar informou originalmente que o espectro seria utilizado pela SpaceX para desenvolver e implantar uma nova geração da constelação Starlink Direct to Cell.
Uma única conta Starlink para casa e celular?
Musk também foi questionado sobre uma possibilidade ainda mais ambiciosa: transformar a Starlink em uma espécie de operadora global.
A ideia seria permitir que uma pessoa tivesse uma conta Starlink funcionando tanto na antena instalada em casa, fornecendo Wi-Fi, quanto diretamente no smartphone.
Musk respondeu que essa poderá ser “uma das opções”. Ele ressaltou, entretanto, que não espera que a Starlink elimine operadoras tradicionais como AT&T, T-Mobile e Verizon, principalmente porque essas empresas continuam controlando grandes quantidades de espectro.
Na prática, a visão apresentada é de uma Starlink que poderá funcionar simultaneamente como provedora residencial e serviço móvel via satélite.
E dentro de casa?
Outro questionamento foi se o sinal conseguiria funcionar dentro de edifícios.
Musk explicou que casas comuns poderão receber a conexão, mas estruturas que dificultam fortemente a propagação do sinal, como prédios ou instalações com telhados metálicos espessos, poderão representar uma limitação.
Isso significa que a tecnologia não eliminará as limitações físicas existentes nas comunicações sem fio.
Starlink pode se aproximar cada vez mais de uma operadora global
O plano ainda depende de diversas etapas técnicas: novos satélites precisam ser construídos e lançados, fabricantes terão de incorporar as frequências aos smartphones e a SpaceX precisará avançar nas questões regulatórias necessárias para operar em diferentes mercados.
Por isso, os dois anos mencionados por Musk devem ser tratados como uma estimativa, e não como uma data definitiva.
Caso o projeto avance conforme planejado, entretanto, a diferença para o usuário poderá ser significativa: em vez de depender exclusivamente de uma torre de telefonia próxima, determinados smartphones poderão estabelecer conexão de alta velocidade diretamente com satélites Starlink em órbita.
E Musk já projeta um passo além: uma conta Starlink capaz de acompanhar o usuário da internet residencial ao celular, dentro de uma estratégia que aproxima cada vez mais a empresa do mercado mundial de telecomunicações.























