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Tecnologia

Elon Musk revela plano para Starlink levar internet de alta velocidade direto aos celulares

SpaceX trabalha com fabricantes para adaptar chips de smartphones às novas frequências; Musk afirma que tecnologia poderá permitir assistir a vídeos praticamente em qualquer lugar.
Por Game Monkey • 23/09/2026 às 05:45

Elon Musk revelou novos detalhes de um dos projetos mais ambiciosos da Starlink: oferecer conexão de internet de alta velocidade diretamente entre satélites e smartphones, reduzindo a dependência de antenas terrestres e ampliando a cobertura para locais onde as redes convencionais não chegam.

Durante participação no All-In Summit, Musk explicou que a SpaceX trabalha simultaneamente no desenvolvimento de novos satélites e com fabricantes de celulares para que futuros aparelhos sejam compatíveis com frequências adquiridas pela companhia.

A expectativa apresentada pelo empresário é que os primeiros smartphones capazes de aproveitar plenamente esse novo espectro possam começar a chegar ao mercado em aproximadamente dois anos.

Celulares atuais precisam de mudanças

Segundo Musk, existe uma limitação importante: os smartphones disponíveis atualmente não oferecem suporte nativo às frequências que a SpaceX pretende utilizar.

Por isso, será necessário modificar os chipsets dos aparelhos.

“Como essas frequências não são suportadas nos telefones atuais, o chipset precisa ser modificado.”

Musk estimou que esse processo deve levar cerca de dois anos. Paralelamente, a SpaceX pretende construir satélites preparados para transmitir nessas mesmas frequências.

A estratégia envolve fazer com que telefone e satélite se comuniquem diretamente com largura de banda significativamente maior.

“Você poderá assistir a vídeos em qualquer lugar”

Musk resumiu o objetivo da tecnologia com uma declaração que chama atenção: a expectativa é permitir que usuários consigam assistir a vídeos diretamente pelo celular mesmo em áreas atendidas pela conexão via satélite.

A proposta vai além dos serviços atuais de comunicação direta entre satélites e celulares. O objetivo descrito pelo empresário é alcançar uma conexão com capacidade suficiente para aplicações que exigem maior volume de dados.

Isso poderia ampliar a conectividade em áreas rurais, estradas, regiões remotas e outros locais com cobertura móvel limitada.

SpaceX comprou frequências para ampliar o Starlink

O projeto ganhou força depois que a SpaceX fechou um acordo com a EchoStar para adquirir licenças de espectro AWS-4 e H-Block.

O negócio foi inicialmente anunciado em setembro de 2025 por aproximadamente US$ 17 bilhões. Posteriormente, o acordo foi ampliado e passou a envolver cerca de US$ 20 bilhões, com a inclusão de espectro adicional. Documentos da EchoStar mostram que a operação recebeu aprovação regulatória da FCC em maio de 2026.

A própria EchoStar informou originalmente que o espectro seria utilizado pela SpaceX para desenvolver e implantar uma nova geração da constelação Starlink Direct to Cell.

Uma única conta Starlink para casa e celular?

Musk também foi questionado sobre uma possibilidade ainda mais ambiciosa: transformar a Starlink em uma espécie de operadora global.

A ideia seria permitir que uma pessoa tivesse uma conta Starlink funcionando tanto na antena instalada em casa, fornecendo Wi-Fi, quanto diretamente no smartphone.

Musk respondeu que essa poderá ser “uma das opções”. Ele ressaltou, entretanto, que não espera que a Starlink elimine operadoras tradicionais como AT&T, T-Mobile e Verizon, principalmente porque essas empresas continuam controlando grandes quantidades de espectro.

Na prática, a visão apresentada é de uma Starlink que poderá funcionar simultaneamente como provedora residencial e serviço móvel via satélite.

E dentro de casa?

Outro questionamento foi se o sinal conseguiria funcionar dentro de edifícios.

Musk explicou que casas comuns poderão receber a conexão, mas estruturas que dificultam fortemente a propagação do sinal, como prédios ou instalações com telhados metálicos espessos, poderão representar uma limitação.

Isso significa que a tecnologia não eliminará as limitações físicas existentes nas comunicações sem fio.

Starlink pode se aproximar cada vez mais de uma operadora global

O plano ainda depende de diversas etapas técnicas: novos satélites precisam ser construídos e lançados, fabricantes terão de incorporar as frequências aos smartphones e a SpaceX precisará avançar nas questões regulatórias necessárias para operar em diferentes mercados.

Por isso, os dois anos mencionados por Musk devem ser tratados como uma estimativa, e não como uma data definitiva.

Caso o projeto avance conforme planejado, entretanto, a diferença para o usuário poderá ser significativa: em vez de depender exclusivamente de uma torre de telefonia próxima, determinados smartphones poderão estabelecer conexão de alta velocidade diretamente com satélites Starlink em órbita.

E Musk já projeta um passo além: uma conta Starlink capaz de acompanhar o usuário da internet residencial ao celular, dentro de uma estratégia que aproxima cada vez mais a empresa do mercado mundial de telecomunicações.

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